domingo, 16 de outubro de 2011

Casa do Tesouro


Conta a história de um grupo de cegos que tentou descrever como era um elefante. Um deles após apalpar o lado musculoso do elefante, chegou à conclusão que ele era como um muro. O segundo cego após tocar nas pernas grossas e roliças protestou dizendo: "Não, o elefante tem uma forma diferente. Ele se parece com uma coluna." O terceiro abordou o elefante de outra forma. Após apalpar a tromba, disse: "Vocês dois estão enganados, o elefante se parece com uma grande cobra." E, assim cada um dos seis teve uma concepção diferente do mesmo elefante.

Às vezes por desinformação ou por conhecerem apenas uma parte da verdade algumas pessoas agem como estes cegos, enfatizando um aspecto das coisas em detrimento de outros.

Heresia não é apenas uma doutrina errada, mas pode ser também um assunto ou doutrina em que apenas é enfatizado apenas um lado. Um dos exemplos desta distorção é a interpretação de Ml 3.10 que diz: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes."

Mas, o que realmente quer dizer a expressão "Casa do Tesouro", onde Deus pediu para os israelitas trazerem os seus dízimos e ofertas.
Bem, em primeiro lugar temos que compreender o que significava a expressão "Casa do Tesouro".
Quando Salomão construiu o templo, várias salas ou câmaras foram construídas para diversos fins. I Rs. 6.5 Estas dependências, por exemplo, eram usadas como abrigo para os cantores que apresentariam suas músicas Ez. 40.44. Os guardas ocupavam uma destas salas I Rs. 14.28. Em uma ocasião uma delas foi usada como esconderijo para Joás II Rs. 11.2 e 3.

Uma destas salas era usada como o lugar onde o dízimo que não era composto apenas de moedas, mas também de produtos agrícolas era entregue e guardado. Neemias usa a expressão "Casa do Tesouro" para falar de uma destas câmaras ou salas onde eram depositados os dízimos Ne 10.38. Uma espécie de tesouraria do templo. Portanto, "Casa do Tesouro" é uma expressão para designar primariamente o lugar (ou espaço) onde o dízimo deveria ser guardado.

Inclusive a KJV, a famosa King James Version traduziu a expressão de Ml 3, como celeiro ou lugar onde cereais eram depositados, já que grande parte dos dízimos vinha em grãos. É bom que se diga que o autor não está discutindo quem deveria administrar o dízimo, pois sobre isto Deus já havia falado e instruído o povo.

Levar à "Casa do Tesouro" significa entregar o dízimo no lugar designado, ou seja, a igreja da qual a pessoa é membro ou frequenta.

Temos que voltar à Bíblia para entender a questão da distribuição do dízimo.
Em Gn 14.20 lemos que Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque que era não apenas um rei, mas também sacerdote do Senhor. O ato de Abraão revela que o receptor do dízimo deve ser alguém separado por Deus para uma tarefa santa. Abraão obedeceu (e note bem, ele poderia usar o dízimo para o que quisesse, mas não o fez, pois ele cria no plano de Deus) e deu o dízimo a quem de direito.

No sistema israelita Deus estabeleceu regras ainda mais claras a respeito do dízimo. O dízimo foi dado aos levitas como herança e deveria ser administrados por eles Nm. 18.21 a 32. Tanto é que o doador não podia manipular a décima parte. A pessoa não devia separar o bom do defeituoso ou fazer qualquer substituição Lv 27.33. Por exemplo, em um rebanho o décimo animal que passasse sob o cajado do pastor pertencia ao Senhor, não importando a sua condição. O israelita também não dava seus dízimos e ofertas para simplesmente "pagar" o salário dos levitas. O dízimo era na verdade não oferta para os levitas, "mas para o Senhor" Nm 18.26.

Esta verdade é reforçada em Ml 3.8 quando Deus diz: "... vós me roubais". O roubo não é contra os levitas ou sacerdotes, mas contra Deus, quando eu não dizimo, eu estou roubando a Deus.

Tendo isto como base, o dízimo era uma oferta para o Senhor a qual Ele deu para o sustento e administração dos levitas e do sacerdócio. O centro administrativo da religião de Israel estava no templo. Eles eram o que hoje chamamos de administração da igreja. Esta centralização no templo permitia que dali saísse o sustento necessário para os homens que faziam a obra de Deus naquela época.

O sistema de governo do Novo Testamento é congregacional. Considerando que a igreja ainda estava iniciando e, portanto alguns passos na organização ainda deviam ser dados; vamos tomar dois exemplos:
1.    O concílio de Jerusalém é o primeiro deles At. 15. Neste concílio as decisões não foram tomadas por uma pessoa, mas por representantes da igreja, que neste caso eram os apóstolos e os anciãos At 15.6. Temos aqui um caso semelhante ao sistema de democracia representativa. O concílio de Jerusalém reflete que as tomadas de decisão foram feitas por uma liderança internacional e interdistrital. At. 15.6,16. 4 e 5.
2.    Do apóstolo Paulo, um evangelista e plantador de igrejas em várias cidades. Ele sempre que podia voltava àquelas congregações ou deixava alguém para trabalhar ali sob a sua supervisão. Havia entre estes líderes e igrejas um trabalho harmônico.

Paulo era uma espécie de presidente de campo. As igrejas não decidiam tudo sozinhas. Mesmo empiricamente se percebe que havia uma organização central que dirigia a obra naquela região do mundo. Tt. 1.5, II Tm. 4.5, Tt. 2.15.

Em I Co. 16. 1-3. temos o desafio de Paulo para que os membros da igreja separem suas ofertas para os pobres da Judéia. Ele pessoalmente passaria para pegar este dinheiro e usá-lo para atender necessidades.
A RAIZ DO PROBLEMA
Na verdade, a raiz do problema de alguns não é teológico, mas pessoal e às vezes no questionamento da administração. Os que defendem a idéia de que a igreja local ou eles mesmos devam administrar e distribuir todo o dízimo estão amparados muito mais em idéias pessoais e textos distorcidos do que no "Assim diz o Senhor".

Alguns trazem certa revolta por causa do erro de um ou outro pastor ou administrador, e então tenta fazer a Bíblia concordar com suas idéias pessoais. Não podemos misturar as coisas. Se alguém na administração erra na aplicação do dízimo será corrigido por Deus e deverá arcar com as consequências. Mas, jamais devemos usar este precedente para desestimular a entrega da parte pertencente a Deus e que deve ser usada no ministério evangélico, pois a bíblia não deve ser usada para sustentar nossas teses, mas sim para destruir os nossos paradigmas que construímos ao passar os anos na vida cristã, ou seja, somos nós que devemos nos adaptar a ela.

O sistema deixado por Deus é o mais justo e equilibrado, pois permite à igreja pensar de forma global nas necessidades administração e necessidades do uso das finanças da igreja. Às vezes temos a tendência egoísta de olharmos apenas para os nossos pensamentos e esquecemos que a igreja é um corpo I Co. 12.13. E como um corpo ela deve ser dirigida, primeiramente por Cristo e depois pelos homens e mulheres que ele escolheu, e não sempre pelos nossos pensamentos pessoais, radicais e individuais com tendências políticas irracionais e maquiavélicas, mas por um grupo de pessoas que ocupam as lideranças dos departamentos das igrejas ao qual o anjo da igreja os colocou conforme a orientação de Deus.

Aqueles que têm dúvidas sobre a eficácia deste método deixado por Deus deveriam conhecer um pouco mais a Santa Escritura e sobre os problemas da igreja; e no mínimo amar onde se esta. E certamente verão que a crítica feita ao sistema representativa na maioria das vezes é infundada.

Todavia se há algum desvio na igreja ele deve ser corrigido conforme manda a palavra de Deus, com amor, mansidão e de acordo com o Espírito de Cristo é que as coisas se resolvem Gl 6.1 a 4, e não com palavras conflitantes e arrogantes que suscitam a ira de seu irmão, e que muitas vezes saem de boca de falsos moralistas, que neste contexto não dizimam, não ofertam e não ajudam em nada financeiro que ao meu ver não deveriam opinar em nada,pois quem ama sua casa investe nela, e não em telhados alheios,pois as críticas devem existir, mas apenas as construtivas, pois não existe construtivismo na boca daqueles que não somam na obra de Deus.

Um comentário:

  1. Olá Pr. Arley.
    Paz do Senhor.
    Parabéns pelo estudo.
    É de suma importância para os nosso dias.
    Um abraço em toda família.
    Pr. Natã Santana

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