terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A Graça



TEXTO DE REFERÊNCIA: Ef. 2. 8-9.

INTRODUÇÃO:

            O que é graça?  Esta palavra tem uma importância central, se tornando uma palavra chave no cristianismo. É o ápice encontrado no Novo Testamento,  em todas as possíveis vertentes encontradas veremos ser a “graça”, maravilhosa e acima de tudo incomparável.

             A definição costumeira que falamos do significado de graça é a seguinte: “O favor imerecido que Deus concede ao Homem”, embora ser realmente isso, é incompleto tal conceito, pois, graça é um atributo de Deus, somente Dele, um Dom, ou um componente do caráter divino, onde através da demonstração de bondade ao homem de forma individual, ou a uma nação de forma global, é manifestada por Ele. Onde o pecado impregnado em meio à humanidade perde seu efeito, e sua bondade embora não merecedores, nos é doada gratuitamente, isto é, a graça nos garante de forma imerecida a salvação.

             O Novo Testamento nos apresenta um Deus em graça plena I Pe. 5.10, e o Espírito Santo, sendo o Espírito de graça Hb.10.29, estabelecendo um entendimento central de que a chave para se compreender o N.T, está em saber que a graça veio aos homens através do filho de Deus Jesus Cristo. A graça é o sumário e a substancia da fé do Novo Testamento. Sem a graça o Novo Testamento não faria sentido.

              Na septuaginta a escrita mais antiga do N.T para a língua grega, o termo de tradução de graça é charis que significa “favor imerecido” já na escritura hebraica, não se encontra nenhum termo hebraico equivalente, os termos originais hebraicos traduzidos para a septuaginta são chanan ou chen, que levam também ao traduzido “favor” ou “misericórdia”, a função destas palavras no hebraico mostram as misericórdias de Deus com homens de forma singular Gn.6.8; Gn.39.2; Êx 33.12,17, bem como aos que invocavam por misericórdia e com os pobres Sl.4.1; 6.2; Pv.14.31.

               Para muitos este significado se torna tão evasivo, que passam a compreender de forma errônea que a graça seria uma forma de recarregar as nossas baterias, administradas por meio das ordenanças religiosas e para outros não significa ou significou em algum momento, alguma coisa. Enquanto isso muitos gerem a religião em nome do cristianismo, negando totalmente a graça de Deus, através do legalismo doutrinário, onde se determina que a salvação dependa da lealdade a um sistema doutrinário eclesiástico, bem como das doutrinas do moralismo liberal, onde estabelece que uma pequena porção de bondade seja suficiente para alcançar a salvação pelo mecanismo graça. A graça não é gerida ou manifestada por nós, nunca foi um mecanismo metódico, mas é a essência de Deus ofertada a todos que assim desejam alcança-la.




·        A natureza da graça.

    Sua natureza tem como regra geral a gratuidade, pois o preceito coerente em sua interpretação e compreensão está em entender que o “favor imerecido” é a concessão que um suplicante acha aos olhos de um superior, no qual não se podia reivindicar tratamento favorável, mas nele encontra tal favor sem merecer.  Por isso é algo gratuito, pois (Deus) que manifesta a sua graça em favor de alguém (homem) não está obrigado a demonstra-la, ou seja, depende unicamente da vontade própria de Deus.

·        A riqueza da Graça.

A graça sempre será vinculada a obra de cruz de Cristo I Pe.1.10, que após a morte de cruz, todo o pecado outrora dominador do homem, encontra um novo antidoto que não apenas desfaz os efeitos do pecado mas, gera de dentro para fora uma transformação plena do homem visando algo duradouro e eterno Rm. 5.20,21.

Essa riqueza é extremamente ensinada e relatada por Paulo, ele nos ensina que a cruz de Cristo vem provar a realidade da graça divina, como a medida final para nós Rm. 5.8.  

Essa riqueza também nos leva a quatro pontos de garantias de transformação e alcance, que de forma imprescindível deverá ocorrer em nós.

1.      Redenção: Em Ef. 1.7, vemos que a redenção só ocorre após a morte de Cristo na cruz. Redenção é um caríssimo livramento do perigo, gerado pela nossa culpa no pecado, mas agora pela graça redentora seremos redimidos de todo o pecado Rm. 3.24; Tt. 3.7.

2.      Regeneração: É alcançada mediante a nossa união com Cristo em sua ressureição, ou seja, forma de se vivificar com Cristo Ef. 2.1-5. A regeneração é o complemento necessário com a redenção que gerará em nós a fé no redentor Ef. 2.8. Essa co-ressurreição nada mais é que um fruto da graça, Lucas nos dizia, os homens creem mediante a graça At.18.27, enquanto Deus os chama por sua graça Gl. 1.15.

3.      Eleição: Somos eleitos por Deus de forma irrestrita e incondicional, outrora ofensores culpados, agora transformados em chamados e justificados Ef. 1.3-12. Essa eleição se caracteriza pela graça, jamais pelas obras, isto é, não está na resposta dada por Deus a qualquer esforço ou mérito humano, que Deus pudesse ter previsto Rm. 11.6; II Tm. 1.9.

4.      Preservação: Deus gera sobre nós cuidados, pois somos agora alcançados pelo fruto da graça, e nos tornamos unidos com Deus em fé Jo. 10. 27,28; Ef. 4.18. Esta segurança de ser guardado está para os fiéis agora regenerados e discípulos de Cristo, onde passam, a saber, se mesmo caindo da graça Deus estará pronto para nos levantar novamente em graça Pv. 24.16, pois a graça nos faz alcançar as misericórdias de Deus Hb. 4.16, e com seu perdão somos levados ao efeito libertos em Cristo Jo. 10.10, no qual visa gerar em nós uma preservação para a eternidade Ap. 21.22.

CONCLUSÃO:

Sendo assim, entenda que a graça é o dom de Deus que gera sobre nós em fé a salvação.

Mas em meio à corrida pessoal de alcançar as bênçãos nesta terra, podemos sentir que não estamos sendo bem sucedidos nessas buscas, nesse caso devemos lembrar que temos uma garantia e certeza, de alcançar um novo céu, que a graça mediante a fé nos garante está disponível a todos nós. Tt. 2.11.

Enquanto ao sofrimento (dores, moléstias e doenças), se não obtivermos de Deus o milagre da cura, devemos lembrar que isto faz parte da condição humana, em virtude do pecado, do envelhecimento do corpo, ou da punição de Deus. Mas em tudo isto temos como exemplo Paulo que obteve a resposta de Deus, “a minha graça te basta” II Co. 12.9.

Em outras palavras a graça de Deus é suficiente para nos fortalecer em meio a qualquer provação, tentação ou período de sofrimento.

Maravilhosa, infinita e incomparável é a graça de Deus, se surpreenda viva debaixo da graça de Deus. Tt. 2.7-15.           


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